Crítica | Primetime: Robert Pattinson brilha em drama provocativo sobre os limites do entretenimento
Ainda sem data de estreia no Brasil, Primetime traz mais uma vez Robert Pattinson interpretando um personagem odioso, mas de forma hipnótica.
Pôster de “Primetime”. Crédito: Divulgação
Baseado em uma história real, Primetime acompanha o jornalista Chris Hansen(Robert Pattinson), um homem que, no ano de 2006, está determinado a tirar a sua emissora da baixa audiência. Com a ideia de criar um programa chamado To Catch a Predator, feito para expor predadores sexuais ao vivo, em pouco tempo a produção se torna um sucesso de audiência e muda toda a trajetória da história televisiva. No entanto, quando um membro da equipe identifica um possível alvo de grande no Texas, Hansen decide levar a equipe para realizar uma operação de maior escala, aumentando a tensão entre os envolvidos e colocando em xeque os limites entre jornalismo, entretenimento e vigilância.
Mesmo que To Catch a Predator tenha sido um sucesso e renda um bom roteiro para o filme, é Robert Pattinson quem faz tudo funcionar, e o diretor Lance Oppenheim sabe muito bem disso. Ele transporta toda a estranheza e excentricidade que o ator entrega a seu papel para a tela. Dessa forma, cria um filme cheio de estilo, com uma granulação e um formato que nos transportam para de programa que está emulando.
Cena do filme “Primetime”. Crédito: Divulgação
E o próprio programa real funciona muito bem para a narrativa do filme porque envolve toda uma investigação atrás dos alvos, além da preparação dos atores que performam as vítimas desses predadores, atores adultos que se passam por adolescentes. A partir disso, o longa nos transporta para a preparação desse programa e de suas armadilhas, e tudo isso faz com que Primetime ganhe um ritmo similar aos de ação que funciona muito bem.
O filme se passa nos anos 2000, trazendo uma estética impecável que utiliza muito bem as referências dessa época. Além dos programas de TV como Lost e Friends, a produção traz pôsteres e retratos de Osama bin Laden e Saddam Hussein, que não apenas situam a obra no tempo, como mostram toda a movimentação da imprensa no período, reforçando o papel de To Catch a Predator e explicando a popularidade da atração nos Estados Unidos.
Cena do filme “Primetime”. Crédito: Divulgação
Pattinson é a grande estrela do filme, mas Phoebe Bridgers e o ótimo Skyler Gisondo também ganham destaque pela forma como criam seus personagens. Phoebe interpreta uma pessoa já acostumada com a realidade desse trabalho, em contraponto com Gisondo, que vê tudo aquilo com estranheza. Por enxergar o projeto como uma grande oportunidade para alavancar sua carreira, ele tenta encarar o desafio e os dilemas éticos do que acontece.
Porém, o filme não aborda o outros lados daquela história. Fica um grande buraco que poderia ajudar a jogar luz sobre as contradições da atração. E mesmo que os protagonistas trabalhem isso perto do final do filme, a abordagem ainda é mais sutil do que poderia ser. O final, inclusive, se estica mais do que precisava: existe uma cena bem forte quando o último predador é encontrado, e poderia ter terminado ali. No entanto, a história segue em uma cena que acaba tirando a força do encerramento.
Primetime coroa um excelente ano para Robert Pattinson e ainda será bastante falado até o fim da temporada de premiações.
O filme foi exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e tem previsão de estreia ainda em 2026 no Prime Video.