Crítica | O Samurai e o Prisioneiro: Mistério no Japão feudal esbarra na previsibilidade
O Samurai e o Prisioneiro impressiona pela qualidade de sua produção, principalmente no visual, mas peca por não conseguir contar uma história empolgante.
Pôster do filme “O Samurai e o Prisioneiro”. Crédito: Divulgação
A trama se passa no Japão do século XVI (Período Sengoku), em 1579, durante o cerco ao Castelo de Arioka. Acompanhamos o lorde Murashige Araki (Masahiro Motoki) um homem conhecido por investigar crimes misteriosos e que agora se rebela contra o tirano Oda. Quando uma série de crimes graves passa a ocorrer, ele se vê obrigado a recorrer ao estrategista Kanbei Kuroda para descobrir a verdade — o detalhe, no entanto, é que o homem é seu prisioneiro. Mergulhado em uma fortaleza de medo e suspeitas, Araki terá que lidar com a aproximação do exército inimigo e com um traidor escondido em suas fileiras.
Logo de cara, o filme remete a obras como a série Xógum: A Gloriosa Saga do Japão e a jogos como Assassin’s Creed Shadows. Certamente, quem teve contato com essas produções se sentirá em território conhecido. Há inúmeras referências ao período histórico na ambientação, no design de produção e até em rituais minuciosamente retratados, como a cerimônia do chá.
Tudo é executado com muito capricho e um cuidado evidente em alcançar a perfeição estética. A inserção de conflitos e figuras reais da história do Japão ajuda a elevar o potencial da obra, entregando uma narrativa com peso histórico além da tela.
Cena do filme “O Samurai e o Prisioneiro”. Crédito: Divulgação
Infelizmente, toda a trama de segredos e traições não acompanha a qualidade técnica do projeto. Escrito e dirigido por Kiyoshi Kurosawa, baseado no romance homônimo de Honobu Yonezawa, esperava-se que a tensão psicológica em torno de lorde Araki fosse mais instigante. Várias mortes misteriosas acontecem ao redor do protagonista, e é sempre o seu prisioneiro quem lhe fornece informações e conselhos sobre como agir. Contudo, o desenrolar é tão confuso, talvez em uma tentativa falha de desorientar o espectador, que as resoluções não fazem jus à dimensão do mistério criado.
O fato de ser sempre Kanbei quem entrega as respostas ao lorde acaba diminuindo o peso de Araki dentro da própria história. A partir da terceira vez que esse recurso se repete, as investigações perdem a graça, deixando o público apenas esperando qual será a próxima revelação do prisioneiro.
Cena do filme “O Samurai e o Prisioneiro”. Crédito: Divulgação
A própria resolução do longa segue essa fórmula. Fica a impressão de que o lorde Araki aguarda passivamente que os eventos aconteçam. Além disso, para os espectadores mais atentos, os grandes segredos da trama podem acabar se revelando cedo demais.
O elenco, embora talentoso e à altura da qualidade da produção, sofre do mesmo mal do roteiro: são personagens que perdem a força ao longo das quase duas horas e meia de projeção.
O Samurai e o Prisioneiro pode agradar aos aficionados pela história e pela cultura do Japão deste período, mas é um filme que facilmente será esquecido logo após a sessão.
O longa foi exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e ainda não possui data de estreia nos cinemas brasileiros.