Review | Nipster: O perigo da superficialidade ao debater o extremismo

Nipster cria uma atmosfera interessante, mas não consegue explorar seu tema central.

Pôster do filme “Nipster”. Crédito: Divulgação

Exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme sueco tenta abordar os grupos extremistas, um tema super atual e que pode ser explorado pelos mais diversos olhares, coisa que o longa da diretora Sunniva Eir Tangvik Kveum não consegue alcançar desenvolver tão .

Em Nipster, conhecemos Chris (Saga Stenman), uma adolescente de 17 anos que se sente isolada e impotente diante das crises ambientais. Após um conflito na escola de equitação, ela aceita o convite de sua amiga Maja (Sophia Martinsson) para participar de um acampamento de verão dedicado à causa climática. Lá, encontra o sentimento de pertencimento que tanto procurava, mas descobre que o grupo é liderado por extremistas ecofascistas, cujas ideias racistas ameaçam um abrigo de refugiados nas proximidades. Dividida entre seus princípios e o desejo de ser aceita, Chris enfrenta os perigos da radicalização.

Quando você decide fazer um filme sobre um assunto tão delicado como esse, é preciso que a obra se posicione, alertando sobre os perigos que esses grupos. Até certo ponto, o roteiro faz isso, já que trabalha a violência em uma escalada interessante, começando a partir de pequenos comentários e estourando em uma violência bem mais gráfica. O grande problema é que, quando chega a esse ápice, o filme não consegue passar disso, quase supondo que o público já saiba o quanto aquilo é ruim e perigoso.

Cena do filme “Nipster”. Crédito: Divulgação

Porém, fazer uma suposição dessas no mundo em que vivemos hoje é um risco, principalmente frente ao crescente número de ações de grupos extremistas ao nosso redor.

A questão central é como o roteiro desenvolve a relação entre a protagonista, Chris, e sua amiga, Maja. As duas acabam no meio desse grupo de fascistas, sendo as únicas que realmente não entendiam o que acontecia ali. Chris é mais tímida e acaba sendo levada para essa espécie de acampamento de verão por Maja, e aqui o filme também falha ao não explicar muito bem como a amiga chegou até eles. Mas é quando a violência se torna muito explícita que Maja acaba sendo a primeira a perceber o perigo. Ao confrontar Chris, o filme resolve a questão de uma forma um tanto adolescente, como se a protagonista achasse que Maja está apenas com inveja por ela estar se tornando mais popular.

Chris acaba se encontrando nesse grupo fascista pelo simples fato de ser aceita, algo que não conseguia fora dali. Só que, ao final, a personagem não construi nenhuma reflexão sobre onde está e quem se tornou.

A sensação que fica é a de que tudo vale a pena para estar perto dos que a acolhem, podendo até abrir margem para interpretações perigosas por parte de espectadores mal-intencionados. E é exatamente aqui que reside o grande perigo do desfecho do filme.

É na direção que o longa encontra suas virtudes. A forma como a diretora muitas vezes coloca a câmera na mão dos adolescentes traz uma ideia de amadorismo e uma tensão que cabem muito bem na história. Mesmo assim, somente isso não basta. Nipster mostra que apenas usar um tema tão atual e importante não garante que a obra consiga chegar a algum lugar.

Nipster ainda não possui uma data de estreia nos cinemas do Brasil.

Nota: 2/5

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