Review | Black Zombie: A origem de um ícone pop e o verdadeiro monstro da história

As grandes surpresas da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo sempre são aqueles documentários ou filmes que surgem com temas inusitados. Black Zombie é exatamente isso. Ao longo de seus precisos 92 minutos, o documentário entrega a história do surgimento do maior ícone do terror moderno interligando com o maior monstro de todos: o racismo.

A diretora Maya Annik Bedward tenta, e consegue, entregar uma obra que passa longe de ser fetichista ou de explorar de forma irresponsável a história de resistência do Haiti através desse de um íconeda cultura pop: os zumbis.

A obra resgata essa trajetória desde o filme A Ilha Mágica (1929) até os clássicos, como A Noite dos Mortos-Vivos (1968). Para retratar essa linha temporal do cinema hollywoodiano — que moldou tudo o que entendemos sobre os mortos-vivos até hoje, passando por produções modernas como The Walking Dead, The Last of Us, Extermínio e Guerra Mundial Z —, o filme reúne referências e grandes estudiosos do tema. A narrativa conta com depoimentos de John A. Russo (roteirista de A Noite dos Mortos-Vivos), da cineasta Zandashé George e até o músico Slash.

Mas todo esse resgate audiovisual serve, na verdade, para nos mostrar como o racismo e o preconceito religioso, colonial e imperialista fizeram surgir no Haiti o termo “Zumbi”. A produção esclarece as deturpações criadas pelo cinema e revela a verdadeira relação da figura com a religião Vodu haitiana.

Dividido em capítulos, o documentário traça a história do país e do cinema de horror através desse subgênero, servindo como uma reflexão poderosa sobre como os negros foram retratadas nas telas ao longo das décadas.

É um filme maravilhoso para quem ama o gênero de terror, e absolutamente indispensável para todos que querem entender as verdadeiras raízes daquilo que consumimos com tanta voracidade na cultura pop.

Infelizmente, ainda não há previsão de lançamento no circuito comercial do Brasil. No entanto, quem estiver na capital paulista ainda pode conferir o longa através das exibições da 50ª Mostra SP, ou já deixá-lo no radar para não perder quando ele finalmente chegar.

Nota: 4,5/5

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