Review | A Longa Estrada: Uma boa atuação de Margo Martindale em um roteiro sem destino

Exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Longa Estrada, dirigido por David Drake, destaca-se principalmente pela interpretação tocante de Margo Martindale e participação de Cole Sprouse e Yalitza Aparicio. Com muito talento, a Martindale consegue elevar a qualidade de um filme que, no fundo, não tem muito a dizer.

Cena do filme “A Longa Estrada”. Crédito: Divulgação

O filme acompanha CJ (Martindale), uma mulher na faixa dos 70 anos e dona de uma empresa de transporte na qual ela própria é a única funcionária. Dirigindo caminhões há décadas, ela sofre com a falta de oportunidades e o desrespeito de uma geração mais preocupada em estar conectada às redes sociais do que em realmente aprender sobre o próprio trabalho, enquanto precisa voltar a enfrentar sua maior perda.

​A gente viaja com ela por vários temas como luto, envelhecimento, etarismo, rancor, perdão, amizade e solidão, mas sem que o filme consiga trazer uma luz inspiradora ou um olhar mais profundo sobre nenhum deles. A condução de David Drake se torna um tanto didática e repetitiva, só não ficando cansativa justamente pela entrega e pela simpatia que Martindale imprime à sua protagonista.

Mesmo quando o filme tenta se tornar mais dramático, envolvendo um arco sobre o passado de sua filha, o roteiro não consegue ir além do esperado. A história serve para que CJ busque um encerramento tanto na vida profissional quanto em seus traumas pessoais. Ela chegou ao final do caminho e percebeu que buscou algo que não teria como recuperar, e que não seria mais na estrada que encontraria essas respostas. Ainda assim, em uma narrativa com todos os elementos para emocionar verdadeiramente, o impacto dramático acaba ficando pelo caminho.

A Longa Estrada é aquele filme bonitinho e triste, gostoso de assistir durante a exibição, mas que deixa muito pouco para o público refletir após o término da sessão.

O filme ainda não possui uma data de estreia nos Brasil.

Nota: 3/5

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