Apresentado na abertura da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Tigre de Papel teve uma exibição de destaque que contou com a presença de seu diretor, James Gray, e do produtor brasileiro do filme, Rodrigo Teixeira.

No entanto, apesar do prestígio da estreia, em Tigre de Papel, James Gray aborda seus temas de uma forma tão alheia à realidade que busca representar que a própria obra acaba soando muito distante.
O longa acompanha a história de dois irmãos em busca do sonho americano. Enquanto o engenheiro Irwin Pearl (Miles Teller) construiu uma família com Hester (Scarlett Johansson), Gary (Adam Driver) seguiu carreira na polícia. Quando Gary, anos depois, apresenta ao irmão uma oportunidade de negócio, os dois se envolvem no mundo da máfia russa em Nova York, em 1986, e os laços familiares começam a se romper, com consequências que mudam suas vidas para sempre.

As dores da classe trabalhadora — que procura a todo custo soluções para uma vida melhor ou, indo além, tenta sobreviver a um sistema focado apenas em explorá-la — até estão presentes no filme, mas consegui senti-las muito pouco.
A personagem de Scarlett Johansson, a única mulher em meio a esse grupo de homens, recebe um arco tão desconexo da história central que sua presença perde relevância. Como consequência, o personagem de Miles Teller se torna ainda mais fraco e mal desenvolvido. Eu até entendo que a intenção de Gray fosse apontar o isolamento feminino naquele ambiente, mas a dificuldade do diretor em integrar essa questão ao resto da narrativa incomoda bastante.

Por outro lado, Adam Driver entrega o personagem mais complexo da trama: um ex-policial que parecia corrupto, mas era apenas mais um indivíduo tentando dar um salto na vida, mesmo que isso o colocasse lado a lado com a máfia. Trata-se de uma figura egoísta, mas que se preocupa com a família. Quase tudo que envolve sua história funciona, com exceção da sua última cena no final do filme.
O elenco, aliás, foi muito bem escalado. Independentemente dos problemas de desenvolvimento, Scarlett, Miles e Adam elevam a qualidade da obra e entregam ótimas atuações.

Por isso, Tigre de Papel soa como um grande ensaio que ainda precisava ser lapidado por alguém mais próximo da realidade que tenta retratar.
Para os mais curiosos, vale ressaltar que o significado do título é explicado de forma bastante explícita durante a projeção. Tigre de Papel tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros para o dia 7 de janeiro de 2027.
Nota: 2,5/5
