Depois da vitória de Gabriel Motta como Melhor Diretor na premiação dos curtas-metragens, agora foi a vez de Kapel Furman abrir a Competição de Longas-metragens Gaúchos do 54º Festival de Cinema de Gramado, entregando também um surpreendente e excelente filme de terror.
Remanente – Voltagem acompanha dois paramédicos em Novo Hamburgo que encontram um tesouro em um porão e abrem um portal que liberta uma criatura eletromagnética chamada O Engenheiro.

O filme é uma produção do Fantaspoa e, inclusive, encerrou a edição de 2026 do festival, revelando-se uma grata surpresa aqui em Gramado. O principal ponto de destaque da exibição foi, definitivamente, o uso de efeitos práticos em detrimento do CGI. Com isso, o longa consegue uma imersão profunda na história, entregando cenas sensacionais. Além disso, possui uma identidade única, principalmente para o seu monstro, o Engenheiro, que vai se reconstruindo ao longo do filme para retomar seu poder.
A direção e o roteiro são de Kapel Furman. Ele consegue amarrar todos os elementos da sua história de uma forma muito coesa. Isso o ajuda a desenvolver essa narrativa de terror fazendo com que todos os detalhes conversem perfeitamente entre si, sem deixar espaços ou pontas soltas, a não ser quando ele quis, preparando o terreno para uma sequência que eu já gostaria de ver.

O diretor nos apresenta sua dupla de protagonistas: dois parceiros de trabalho enfrentando seus próprios problemas, mas que podem encontrar uma solução em comum. Enquanto um é pai solo, com muitas dívidas e o sonho de dar um futuro melhor para sua filha, o outro é um solteirão convicto, que também busca uma vida melhor, mesmo que por motivos talvez mais egoístas, pelo menos aos olhos de alguns. E quando uma oportunidade arriscada se apresenta, um possível tesouro escondido num porão misterioso, é fácil entender por que cada um deles deseja tanto aquilo, em uma escolha que também acaba amarrando os seus destinos.
A forma como o filme nos apresenta a mitologia do seu monstro também é muito criativa. A filha do protagonista sempre fica aos cuidados de uma amiga enquanto o pai trabalha até muito tarde. A menininha, que adora histórias de terror, sempre pede que sua “babá” conte esses contos para ela. Assim, somos apresentados à história do Engenheiro, um homem que perde sua esposa e acaba desenvolvendo um meio de tentar trazê-la de volta. Até que descobrimos que essa lenda é real, e agora o pai da menininha e seu amigo terão que sobreviver a esse ser.

A jornada, aqui, me lembrou um pouco de A Múmia, já que o Engenheiro vai atrás do ouro que os socorristas roubaram, visto que este metal é a fonte de seu poder e o meio para retornar ao seu auge. Nesse caminho, o filme apresenta algumas mortes; mesmo que a contagem de corpos não seja enorme, elas são bem gráficas e muito legais. O efeito prático faz toda a diferença e levou algumas pessoas no Palácio dos Festivais em Gramado a terem reações em voz alta, tamanha a surpresa com pedaços de corpos voando pela sala.
Remanente – Voltagem é um filme que certamente agrada ao público fã do gênero, mas que conseguiu ir além disso, marcando presença de forma expressiva no Festival de Cinema de Gramado. A minha torcida, ele já ganhou.
O filme ainda está em exibição restrita em festivais, mas coloquem aí no seu radar para assistirem assim que possível.
