Review | Fã de romance? Fuja desse filme: “Coração Partido” entrega uma história sem química, mesmo embalado pelo BTS

Particularmente, evito ao máximo criar listas ou eleger os “piores do ano”. Respeito profundamente o trabalho da equipe e toda a engrenagem que move os bastidores de uma produção. No entanto, há exceções. Existem momentos em que assistimos a uma obra e simplesmente pensamos: “Por quê?”. E, por mais que a gente tente enxergar os pontos positivos com todas as forças, a sensação de ter desperdiçado 2 horas e 14 minutos de vida é inevitável.

Coração Partido (Your Heart Will Be Broken) é, infelizmente, um desses filmes. A produção russa, do diretor Mikhail Vaynberg e adaptada do best-seller de Anna Jane, chega aos cinemas brasileiros em 20 de agosto e conta com duas músicas do grupo pop sul-coreano BTS, “Dynamite” e “Butterfly”

Para começar, o filme chega aos cinemas exclusivamente dublado. Embora a protagonista Polina receba a voz da talentosa Bianca Alencar, conhecida por dublar Carla Rosón (Elite) e Mabel Pines (Gravity Falls: Um Verão de Mistérios), acaba dificultando imensamente a percepção da atuação do elenco em cena. Contudo, sem dúvida alguma, o maior problema da obra não é o idioma, mas sim o seu roteiro frustrante e desrespeitoso — até mesmo para nós, que somos amantes assumidos de clichês, bad boys e mocinhas que sofrem bullying nas clássicas tramas de fake dating.

Cena do filme “Coração Partido”. Créditos: Divulgação/Paris Filmes

A história acompanha Polina, uma adolescente lidando com o luto pela perda do pai, o novo casamento da mãe e uma difícil adaptação em uma nova cidade, onde logo se torna alvo de bullying na escola. Tudo muda quando Bars, o aluno mais temido e misterioso do colégio, oferece proteção em troca de que ela siga suas regras. O que começa com um namoro falso deveria evoluir para uma relação intensa.

Existem universos românticos que nos encantam e nos fazem comprar a ideia de um amor improvável. Mas aqui, não existe sequer algo a que se apegar. A atriz que interpreta Polina, Veronika Zhuravleva, é até carismática, e o nosso protagonista, vivido por Daniel Vegas, que participa de rachas de moto e carrega traumas familiares, tem a beleza esperada para o papel. Fora isso, não há mais nada.

Cena do filme “Coração Partido”. Créditos: Divulgação/Paris Filmes

O longa sofre de um excesso de drama mal distribuído. Polina tem a carga do luto, a mudança e a relação complicada com o padrasto. Já Bars precisa que sintamos carinho por ele através de seu passado conturbado e da distância de seu pai rico. Porém, a dinâmica não funciona. Todas as ações e reações são exageradas. Mesmo sendo um romance juvenil, onde sabemos que qualquer experiência ganha uma dimensão enorme, o filme perde a mão.

O roteiro até tenta dar a entender que todos os personagens possuem sentimentos e problemas, desde a garota que comete o bullying até a amiga passiva, sugerindo questões que vão além das aparências. Mas essas camadas só existem, de fato, na tentativa de construir o casal, e ainda assim de forma sutil. O resultado é uma sucessão de momentos vergonhosos e situações vividas por Polina que beiram o ridículo. Isso sem falar nos diálogos, que soam completamente artificiais.

Cena do filme “Coração Partido”. Créditos: Divulgação/Paris Filmes

Lembrando que o filme é baseado em uma duologia de sucesso, ele termina com um gancho, e a sua sequência já está confirmada para estrear em 2027.

Então, fica o aviso: se você é fã de romances literários e está curioso para conferir essa adaptação, o melhor a fazer é esperar chegar em algum serviço de streaming. Pagar um ingresso para assistir a Coração Partido em uma sala de cinema pode até te fazer sentir algo, mas será apenas decepção.

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