Review | Todo Mundo em Pânico 6: Nem tudo precisa de uma sequência! O retorno sem filtro dos Irmãos Wayans

Vinte e seis anos após a estreia do primeiro longa, Todo Mundo em Pânico está de volta. Em um cenário onde o cinema de terror mudou drasticamente nos últimos anos, deixando de ser ignorado para estrelar nas grandes premiações que antes nem cogitavam abraçar o gênero, a franquia retorna apostando no que sempre soube fazer melhor: piadas exageradas e sem pudor.

Cena do filme “Todo Mundo em Pânico 6”. Crédito: Divulgação / Paramount Pictures

Após anos de batalhas judiciais e o afastamento dos irmãos Wayans, eles finalmente voltaram, trazendo consigo todo o elenco central do primeiro filme: Anna Faris (Cindy Campbell), Regina Hall (Brenda Meeks), Marlon Wayans (Shorty Meeks), Shawn Wayans (Ray Wilkins), além de Cheri Oteri (Gail Halstorm), Lochlyn Munro (Greg) e Chris Elliott.

A verdade é que essa comédia é uma das melhores coisas de 2026. Alguém esperava algo diferente disso? Eu não. Eles retornam tão elétricos quanto antes, fazendo piadas de todo escalão e “gabaritar o código penal”.

Quem espera um filme “sem mimimi”, buscando no longa uma espécie de libertação para preconceitos sob a justificativa de que o cinema atual está “politizado demais”, se engana profundamente e ignora a essência do projeto. O roteiro, que conta com o retorno de Marlon e Shawn Wayans, utiliza associações a produções como Corra!, Pecadores e Longlegs para construir um discurso afiado, focado principalmente na realidade norte-americana. Longe de ser um refúgio para o negacionismo, eles trazem seu arsenal de piadas ácidas para questionar, com precisão, a sociedade em que o filme se insere.

Cena do filme “Todo Mundo em Pânico 6”. Crédito: Divulgação / Paramount Pictures

O grande acerto desta sátira é falar sobre os horrores bem reais da atualidade, como toda a questão dos imigrantes nos EUA e a atuação do ICE. Dizer, em 2026, que racismo, homofobia, misoginia e xenofobia não são mais questões de debate público é se desconectar de uma realidade que é, por vezes, mais violenta e aterrorizante que qualquer obra de ficção. O novo filme faz isso, aponta e mata todos, usando o riso para expor essas feridas e nos fazer pensar, mesmo enquanto nos convence de que tudo não passa de uma “comédia idiota”.

Todo Mundo em Pânico 6 pode parecer datado ou desnecessário para alguns, mas, sinceramente, às vezes é preciso alguém na tela para mostrar que nem todo filme precisa de um reboot ou de uma sequência. Mas, se for Todo Mundo em Pânico, a gente aceita — e, na verdade, sempre espera por mais.

Nota: 4,5/5

Cena do filme “Todo Mundo em Pânico 6”. Crédito: Divulgação / Paramount Pictures

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