Quando seu inimigo se torna a sua única esperança contra algo pior? Godzilla Minus Zero não quer apenas ser maior que seu antecessor; ele tem o propósito de expandir e trazer toda a mitologia dos monstros gigantes japoneses para as telas.

Após a destruição causada em 1945, a narrativa salta no tempo para nos mostrar como está o grupo do professor Kenji Noda (Hidetaka Yoshioka). Eles seguem estudando as consequências deixadas pelo monstro que devastou tudo no aclamado longa de 2023. O imenso fenômeno dirigido por Takashi Yamazaki resgatou a majestade de uma criatura há muito desgastada por Hollywood, provando que sua verdadeira força continua nas mãos dos japoneses. Utilizando efeitos visuais que transmitem um peso realista, Godzilla Minus One levou o Oscar de 2024 na categoria custando US$ 15 milhões e arrecadou US$ 116 milhões mundiais.
Agora, os produtores tiveram mais dinheiro para desenvolver a sequência, saltando para um orçamento de US$ 50 milhões. E, sinceramente, a obra continua tão espetacular visualmente quanto a anterior, o que reafirma o trabalho fantástico da equipe de efeitos visuais — entreguem todo o dinheirodo mundona mãodessa equipe.
Nesta nova história, voltamos a acompanhar o piloto kamikaze Kōichi Shikishima (Ryūnosuke Kamiki) e sua família —formada por Noriko Ōishi (Minami Hamabe) e a filha adotiva, Akiko —, tentando seguir em frente após o trauma incomensurável de enfrentar Godzilla. Mas o pesadelo retorna, ainda maior e mais letal, justamente quando todos acreditavam que o monstro estava morto. Mais uma vez, eles precisarão se unir para encarar o impossível.

É aqui que moram a beleza do sucesso e, também, as suas maiores armadilhas. Com um orçamento maior e visibilidade, a tendência de qualquer sequência é tentar ser gigantesca, o que frequentemente resulta em esticar a história de personagens cujos arcos já haviam sido concluídos de forma satisfatória no filme anterior. Gosto muito de como o roteiro mostra que os kaijus não são os únicos perigos daquela história. No entanto, o medo de desapegar de alguns personagens nos faz reviver dramas de forma um tanto exaustiva. Explorar as consequências do fim da guerra por meio dessa grande metáfora do Godzilla é, de fato, essencial. Porém, o que presenciamos é a repetição do mesmo drama emocional, tentando ser requentado de forma exaustiva.
O maior reflexo disso, e aqui entra um ponto que testa seriamente a paciência do público, a pequena Akiko. O trauma da criança se traduz em um choro incessante ao longo de grande parte do longa tornando a presença da personagem irritante.
Esse excesso de drama humano expõe o maior problema do longa: sobram lágrimas, mas falta o nosso monstro. Infelizmente, Godzilla não se consolida nem como o protagonista nem como o grande antagonista dessa nova história. O astro que dá título ao filme acaba escanteado.

Isso não quer dizer que o impacto dos efeitos visuais falhe nas cenas de ação. Pelo contrário, funciona muito bem. Mas não impressiona tanto quanto o primeiro. Pode ser culpa das altas expectativas, ou apenas a dura realidade de que “ser maior não significa, necessariamente, ser melhor”.
Apesar dos tropeços, continuo torcendo por um terceiro filme, de preferência trazendo outros monstros para Godzilla enfrentar.

O longa já chegou aos cinemas. Faça um favor a si mesmo e assista pelo menos em uma sala com um excelente sistema de som, isso fará total diferença na sua imersão, caso não possa investir em uma sessão IMAX. E não precisa ficar sentado após o fim do filme: não há cenas pós-créditos.
Nota: 3/5
