É inegável: a fanquia dos Minions já dá seus sinais de cansaço. Desde o surgimento dessa horda de criaturinhas baixinhas e amarelas trabalhando para Gru em Meu Malvado Favorito (2010), foi paixão ao primeiro “banana”. Tornou-se um vício, um verdadeiro fenômeno da cultura pop. O sucesso foi tanto que, em 2015, ganharam seu próprio filme, mostrando a grande saga de séculos em busca de um vilão para servirem.

Agora, chegamos ao terceiro longa: Minions & Monstros. Desta vez, no entanto, o momento histórico é outro. Deixamos para trás as décadas de 1960 e 1970 e desembarcamos direto em 1927. Também não acompanhamos o clássico trio original, Kevin, Stuart e Bob. No lugar deles, somos apresentados a James, Harry e Ed. É preciso ser honesta: falta um pouco de carisma neste novo grupo, que é liderado por James, um aspirante a cineasta fanfarrão, mas que, no fim das contas, se revela um ótimo contador de histórias.
A surpresa boa de Minions & Monstros é o seu pano de fundo. O filme entrega uma belíssima homenagem ao cinema hollywoodiano, ambientada exatamente na conturbada transição do cinema mudo para o falado. Em uma comparação ousada, mas justa: o diretor Pierre Coffin faz em 89 minutos, com muito mais charme, o que Damien Chazelle tentou com Babilônia em 189 minutos.

Acompanhamos a interferência atrapalhada dos amarelinhos nos bastidores em uma grande ode à história da sétima arte, principalmente no cinema de horror e fantasia. O trio se depara com monstros reconhecíveis e clássicos, representando o perigo necessário para que eles salvem o mundo novamente, enquanto tenta apenas realizar o sonho de James de produzir um filme. É uma crítica à indústria embalada em metalinguagem, guiada por um grupo caótico de Minions, não tem como dar errado.
Quando digo que a franquia está cansada, é porque ela sofre do mal clássico de Hollywood, algo apontado na própria animação: esticar ao máximo qualquer obra que faça sucesso financeiro para garantir sequências infinitas. As crianças que se apaixonaram pelos Minions lá em 2010 hoje já são adultas. Repassar esse amor para uma nova geração não é uma tarefa tão simples. Os filmes continuam encantadores, mas perderam o frescor da originalidade e talvez não soem tão engraçados para a geração atual.

E é exatamente aí que reside o maior acerto deste novo longa: ao se assumir como uma homenagem à história do cinema, Minions & Monstros nos abraça apertado. O filme dialoga perfeitamente com os pais que acompanharam a franquia por conta das crianças no passado, e até com os adultos sem filhos que genuinamente se apaixonaram por aquela inusitada história de amizade e amor pela “vilania” fofa lá no início.

Sim, a essência continua lá. O longa ainda é infantil, as piadas são bobas e calcadas na comédia física, como todos os anteriores — e precisa ser assim. Mas a roupagem cinéfila eleva a obra, entregando um filme que diverte as crianças enquanto pisca o olho carinhosamente para os mais velhos.
