Após um quarto filme abaixo das expectativas, a franquia retorna para seu quinto capítulo. Embora tenha mais a explorar, a continuação ainda carece do brilho dos primeiros longas e não consegue entregar uma história nova que realmente encante.

Dirigido por Andrew Stanton (Procurando Nemo e Vida de Inseto), o quinto filme de Toy Story mostra como os brinquedos lidam com a chegada da tecnologia. Agora com oito anos de idade, Bonnie descobre um novo passatempo: o tablet. O Lilypad é um dispositivo capaz de criar mundos virtuais inteiros, prendendo a atenção da garota e fazendo com que ela se distancie de seus brinquedos.
Jessie tenta manter todos unidos e esperançosos, mas, quanto mais tempo Bonnie passa com o Lilypad, mais o desespero toma conta do grupo. É nesse contexto que uma figura importante retorna! Mais velho e experiente, Woody tentará de tudo para ajudar os amigos a lidarem com essa nova realidade.

Buzz Lightyear, Woody, Jessie e os demais seguem uma difícil jornada de aprendizado, revelando que a tecnologia e a tradição podem coexistir. Ao mesmo tempo, a trama acende um alerta sobre o tempo de tela na infância, a necessidade de adaptação e a perda do afeto humano diante do distanciamento digital.
Depois de um terceiro filme denso e profundo, a franquia parece não conseguir encontrar um rumo, tampouco uma nova história que seja forte o bastante para seus brinquedos contarem.
Nesse novo filme a turma do Woody — ou melhor, da Jessie — tenta acompanhar o futuro. O dilema agora é a tecnologia. Afinal, como competir com os novos “brinquedos” à disposição das crianças, capazes de conectá-las a um mundo infinito de possibilidades?
“Após enfrentarem o abandono, a troca de donos e o entendimento de suas funções no desenvolvimento infantil, agora o inimigo é outro: o amadurecimento precoce impulsionado pela tecnologia, algo tão benéfico quanto perigoso.”
Contudo, existe uma impessoalidade na narrativa que me manteve distante. Talvez por focar no quanto a internet aproxima as pessoas ao mesmo tempo em que esfria as relações, o filme acaba passando a sensação de que falta carinho no trato com os próprios personagens. Até tentam usar uma conexão com o passado da Jessie para compensar esse vazio emocional, mas a escolha acaba não funcionando.
Não que o filme seja ruim; inclusive, ele é melhor desenvolvido que o seu antecessor, conseguindo estabelecer uma identidade e um sentido próprio. O sentimento que fica, no entanto, é o de que falta brilho.

A produção toma uma ótima decisão ao passar o protagonismo para a Jessie. E não digo isso por não gostar do Woody, mas sim porque ela consegue trazer o carisma que falta à própria história. Jessie é simpática, possui o tom aventureiro perfeito e exala o ar de liderança que a trama exige. Mesmo tendo que carregar arcos narrativos desnecessários, ela se consolida como o ponto alto da animação.
Infelizmente, a cowgirl ainda tem algumas âncoras para carregar. Uma delas é a sua relação com Buzz: o roteiro força um romance que não se encaixa com o restante da narrativa, ainda que renda uma boa cena no desfecho. A outra é o próprio Woody. Ele havia decidido ir embora no quarto filme, mas os roteiristas não tiveram coragem de mantê-lo afastado. Assim, ele retorna de forma escanteada e, no fim das contas, completamente descartável.
O longa ainda traz personagens sobrando — ou melhor, versões do mesmo personagem. Os novos “Buzzes” tentam conectar os brinquedos à tecnologia, mas servem apenas como uma grande bengala narrativa para facilitar a resolução final.

O arco da Bonnie até é interessante, mas lida com dilemas já amplamente retratados na cultura pop. A sensação é de que essa discussão chega tarde demais, assim como o próprio Toy Story 5.
A verdadeira alegria, no fim, fica para os fãs da Taylor Swift. O público é presenteado com a música “I Knew It, I Knew You”, reacendendo a esperança de ver a era country da cantora de volta.
