O aguardado retorno de um dos vilões mais complexos e queridos da galáxia finalmente chegou ao Disney+. Star Wars: Maul – Lorde das Sombras acaba de estrear com seus dois primeiros episódios, trazendo a promessa de uma temporada de 10 capítulos que já nasce com a segunda temporada confirmada e em produção.
Tivemos acesso antecipado a oito episódios da série e o veredito é claro: esta é uma das produções que reafirmam por que as animações são a melhor parte do universo Star Wars.

A série funciona como um alento para os fãs de The Clone Wars. Ela retoma a história poucos anos depois do final da 7ª temporada: depois da trágica execução da Ordem 66, a queda da República e a ascensão do Império Galáctico nas mãos do Chanceler Palpatine (Darth Sidious).
Lembramos que Maul conseguiu escapar após ser capturado por Ahsoka Tano, que precisou libertá-lo para distrair os clones que tentavam matá-la. Desde então, existia um enorme buraco na linha do tempo do personagem até sua rápida (e surpreendente) aparição no final do filme Han Solo: Uma História Star Wars (2018), que revelou que ele estava no comando da organização criminosa Aurora Escarlate durante o domínio imperial.

Onde Maul se escondeu? Como ele comandava a Aurora Escarlate através de Dryden Vos (o rosto público da organização)? Como ele reconstruiu seu império no submundo durante os primeiros anos do domínio Imperial, antes de encontrar seu fim definitivo em Star Wars: Rebels? É exatamente essa a premissa que a série se propõe a responder.
A trama se passa tão pouco tempo depois da queda da República que revemos personagens que já apareceram ao lado de Maul em The Clone Wars, quando ele comandava o Olho da Morte. Ao seu lado, temos a mandaloriana Rook Kast, mostrando que alguns dos soldados do Olho da Morte e aliados Zabrak permaneceram com ele após a fuga do Cerco de Mandalore.

Com episódios de aproximadamente 23 minutos, a série mantém a coerência visual e narrativa que aprendemos a amar nas animações da franquia, mas traz uma identidade própria.
A estética aposta em um estilo aquarelado. Há um nível impressionante de detalhes nas formas em primeiro plano, enquanto os fundos se assemelham a pinturas. Isso sem dúvida entrega uma das animações mais bonitas já feitas pela Lucasfilm. As cenas de luta e perseguição são primorosas; Maul está ainda mais elegante com o sabre na mão e extremamente cruel em suas batalhas.
Narrativamente, Lorde das Sombras resgata o tom sombrio visto em alguns arcos de The Clone Wars (especialmente os que envolviam o próprio Maul e as Irmãs da Noite), misturando toques da tensão política de Andor e do peso emocinal da série Obi-Wan Kenobi ao ver como os jedi precisavam se esconder do Império.

A essência do Maul está intacta. Sua motivação principal não é simplesmente a busca cega por poder, mas sim a vingança. Quando ele caiu no final das Guerras Clônicas, os sindicatos do crime e as famílias mafiosas deram as costas a ele. Agora, ele precisa reconquistar o submundo para articular sua retaliação contra essas organizações e, claro, contra o próprio Império.

O roteiro expande a galáxia ao explorar novos sistemas e apresentar um planeta inédito: Janix. Lá, conhecemos criminosos que antes estavam sob o comando de Maul, mas que o traíram. Mostrar como esses planetas tentam lidar com o domínio do Império é muito interessante. Eles tentam desesperadamente manter uma fachada de independência para evitar a interferência militar direta.
É nesse cenário que somos apresentados ao Capitão Brander Lawson (que ganha vida com a excelente voz de Wagner Moura). Ele é uma adição instigante à trama, pois não é um policial comum; sua relação dúbia com o submundo e com o Império o torna um personagem ainda mais complexo e imprevisível.

Em paralelo, a série acompanha a fuga de dois Jedi exilados (um Mestre e sua Padawan) que sobreviveram à Ordem 66 e estão sendo caçados pelos Inquisidores.
O grande diferencial aqui é a interferência de Maul. Obcecado pela Regra de Dois e pela necessidade de se derrotar Darth Sidious, ele tenta a todo custo corromper a jovem Padawan para transformá-la em sua aprendiz — ecoando o que ele tentou fez no passado com Savage Opress, o que tentou fazer com Ahsoka e o que ainda tentaria no futuro com Ezra Bridger.

Maul: Lorde das Sombras é uma jornada fascinante sobre moralidade ambígua, ódio e resiliência. Em The Clone Wars, Kenobi já questionava como as Guerras Clônicas faziam com que a República e os próprios Jedi deixassem passar despercebidas as ações de gangues e organizações criminosas, que se fortaleciam nas sombras. Na série de Maul, vemos como esse submundo acaba se tornando uma força paralela crescente dentro do Império.
A série entrega exatamente o que os fãs queriam: um olhar aprofundado sobre o que a vingança é capaz de fazer com um personagem que foi destruído, mas que se recusa a desaparecer.
