Crítica | SUPER MARIO GALAXY: O FILME está ainda maior e pronto para ser um sucesso… mas só entre as crianças

A sequência da animação de Super Mario Bros: O Filme chega aos cinemas nesta semana com um objetivo bem claro: consolidar seu público-alvo e lotar as salas novamente.

Cena do filme “Super Mario Galaxy: O Filme”. Crédito: Universal Pictures

Neste novo capítulo, a história nos apresenta Rosalina, a Princesa que é mãe das Lumas. Após ela ser raptada pelo novo vilão Bowser Jr., os Irmãos Mario e Luigi, junto com a Princesa Peach, encaram uma aventura inédita para salvá-la.

A trama, como de costume, é básica: a donzela em perigo e os heróis que precisam resgatá-la. Mas, vamos combinar que Mario Bros é exatamente sobre isso, certo? Então, tudo bem. O grande destaque aqui é a intenção clara de ampliar o universo, trazendo mais figuras clássicas, explorando novos mundos e entregar assim uma história de origem para alguns dos personagens. Sem esquecer de deixando aquele gancho para o terceiro filme, que provavelmente seguirá a mesma receita.

Cena do filme “Super Mario Galaxy: O Filme”. Crédito: Universal Pictures

A principal diferença que senti em relação ao primeiro longa foi uma leve mudança de tom, talvez proposital ou fruto da escolha do novo elenco. A produção ficou ainda mais infantil. Isso não é necessariamente um defeito, afinal, o alvo principal é a criançada, e agradá-las já garante o sucesso do projeto.

Por outro lado, essa escolha acaba tornando a narrativa simplista até demais. As poucas tentativas de criar alguma complexidade, como a dúvida de Bowser ao tentar se afastar de seu lado mau, são resolvidas de forma apressada e sempre na base do “porque sim”.

“Ele é mau porque é o vilão? Ou é o vilão porque é mau?” O maniqueísmo costuma funcionar muito bem em histórias infantis, mas a obra acaba tropeçando ao procurar uma área mais cinzenta para, logo em seguida, abandonar essa reflexão de modo fácil e rápido.

Esse arco dramático parece existir apenas para dar aos irmãos o que fazer, já que o roteiro busca conceder o merecido protagonismo a Peach. Afinal, é ela quem lidera a missão de resgate de Rosalina e assume a maior parte das responsabilidades, inclusive o grande desfecho, enquanto os meninos ficam trocando socos pelo caminho. No entanto, a história acaba se perdendo no meio dessa divisão de tarefas.

Cena do filme “Super Mario Galaxy: O Filme”. Crédito: Universal Pictures

O segundo responsável por essa atmosfera mais pueril é Bowser Jr. O vilão mirim é, infelizmente, o ponto mais fraco da produção. Suas interações com os demais são bobas em excesso. A ambição de destruir mundos enquanto tenta resgatar o pai acaba esvaziada pela falta de carisma do antagonista.

Cena do filme “Super Mario Galaxy: O Filme”. Crédito: Universal Pictures

Essa vontade de se provar para a figura paterna soa como uma grande birra, muito porque o laço entre os dois é superficialmente explorado pelo roteiro, falha que se repete nas outras dinâmicas familiares levantadas. Embora a falta de aprofundamento facilite a absorção pelos pequenos (as crianças na sessão pareceram adorar), fica a sensação de que faltou substância para sustentar a história.

Apesar disso, a expansão da franquia é excelente. A aparição de Fox McCloud, por exemplo, deixa um gosto de quero mais, assim como a surpresa reservada para a segunda cena pós-créditos. Quando a trama principal não engaja tanto, rechear a tela de easter eggs e elementos secundários ajuda a manter o ritmo. As inúmeras referências a outras obras e, obviamente, ao mundo dos games cumprem bem o papel de agradar aos fãs.

Cena do filme “Super Mario Galaxy: O Filme”. Crédito: Universal Pictures

A propósito, vale lembrar que a animação conta com duas cenas pós-créditos: uma logo no início e outra no final de todos os créditos. E compensa muito esperar por essa última, principalmente se você for familiarizado com os jogos da Nintendo.

Super Mario Galaxy: O Filme certamente será um sucesso de bilheteria, cumprindo a missão de encantar e prender a atenção das crianças, mas pode decepcionar os alguns adultos — azar da gente. Porque sim, o objetivo foi concluído. Pode levantar a bandeirinha do Mario no final.

Deixe um comentário