Crítica | “Destruição Final 2” prova que nem todo filme precisa de continuação

Destruição Final foi uma daquelas produções que acabaram passando quase despercebidas por terem estreado em plena pandemia da Covid-19. Ainda assim, funcionou o suficiente para justificar uma sequência, que chega agora aos cinemas dia 5 de fevereiro. O problema é que nem toda história precisa de uma continuação.

Cena do filme “Destruição Final 2”. Crédito: Diamond Films

Tenho um carinho particular por filmes de “fim do mundo” causados por fatores externos: meteoros, cometas, invasões alienígenas. Especialmente nos anos 1990 e 2000, esse subgênero da ficção científica viveu seu auge, quase sempre centrado em uma família tentando sobreviver ao colapso da civilização. Destruição Final (2020) se encaixava perfeitamente nesse molde.

No primeiro longa, acompanhamos a família Garrity, pessoas comuns que acabam sendo selecionados pelo governo norte-americano para sobreviver ao impacto do cometa Clark, que ameaça devastar o planeta. O caminho até um bunker na Groenlândia, no entanto, está longe de ser simples. Protagonizado por Gerard Butler e Morena Baccarin, o filme surpreendia justamente pela simplicidade de sua proposta.

As dificuldades enfrentadas ao longo da jornada — especialmente aquelas envolvendo o filho diabético do casal — funcionavam dramaticamente e criavam empatia. Era um filme direto, eficiente e emocionalmente honesto dentro de sua proposta. Ainda assim, o diretor Ric Roman Waugh e o roteirista Chris Sparling aparentemente acreditaram que ainda havia mais história a ser contada. A grande surpresa é que não havia: Destruição Final 2 existe apenas para enterrar essa história, literalmente.

Cena do filme “Destruição Final 2”. Crédito: Diamond Films

Na nova trama, cinco anos após o impacto do cometa, John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o filho Nathan (agora interpretado por Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit) são forçados a deixar o bunker, que começa a entrar em colapso. O planeta está devastado e os humanos sobreviventes então sofrendo pela radiação, mas rumores indicam que o local da queda do cometa teria se transformado em um tipo de oásis. Naturalmente, John decide levar sua família até lá.

A partir daí, somos conduzidos por uma sequência quase interminável de obstáculos e situações extremas impostas à família. O problema é que o longa não consegue equilibrar realismo e exagero. John, que no primeiro filme se mostrava racional e pragmático, aqui perde completamente qualquer lógica, refletindo uma fragilidade no persongem que se estende ao próprio roteiro.

Cena do filme “Destruição Final 2”. Crédito: Diamond Films

Além disso, Destruição Final 2 desperdiça oportunidades claras de envolmento emocional. As relações familiares são pouco exploradas. A doença de Nathan, tão relevante no primeiro filme, é mencionada apenas no início e convenientemente esquecida. John passa anos se expondo à radiação, e sua profissão de arquiteto serve pra concertar motores, e Allison acaba como uma espécie de conselheira genérica dentro da nova comunidade.

Curiosamente, era justamente nesses pontos que o filme poderia ter encontrado um caminho mais interessante. A convivência forçada no bunker, o isolamento prolongado, a escassez de recursos e os conflitos internos tinham potencial para render um drama muito mais denso e coerente. Em vez disso, a escolha foi seguir pela rota mais previsível: uma jornada rumo a uma “terra prometida”, enfrentando saqueadores e milícias, apenas para, no fim, tudo se encerrar de forma apressada e absurda.

Cena do filme “Destruição Final 2”. Crédito: Diamond Films

Destruição Final 2 reforça a sensação de que algumas histórias simplesmente não precisam, e não deveriam, continuar.

Nota: 2/4

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