O Primata é mais uma tentativa recente de revitalizar o terror apostando em um “monstro central”, aqui representado por um macaco aterrorizante. Porém, não confunda com o filme do ano passado, O Macaco, adaptação de Stephen King que explorava o horror a partir de um brinquedo amaldiçoado. Agora, a proposta é diferente — e muito mais direta: um chimpanzé infectado com raiva, isolado em uma casa remota no Havaí, se transforma em uma ameaça brutal.
O longa, que chega agora aos cinemas, é dirigido e roteirizado por Johannes Roberts e conta com Troy Kotsur, vencedor do Oscar por No Ritmo do Coração, no elenco. Ainda assim, quem realmente conduz a narrativa é um grupo de jovens amigas que acabam enfrentando a fúria incontrolável do animal dentro daquela propriedade.

E, honestamente, nada além disso importa — nem acontece.
A trama acompanha Lucy (Johnny Sequoyah), uma universitária que retorna à casa da família acompanhada das amigas Kate (Victoria Wyant) e Hannah (Jessica Alexander). A família de Lucy — seu pai, sua irmã e a mãe recentemente falecida — criou desde filhote um chimpanzé chamado Ben, tratado como parte da família. Ele aprendeu língua de sinais e sempre foi dócil e afetuoso.
O problema começa quando Ben adoece. A infecção o transforma em uma ameaça imprevisível e extremamente violenta, colocando em risco todos que cruzam seu caminho.

A partir daí, o filme se resume a uma dinâmica bastante simples, e até eficiente em certos momentos. As garotas passam boa parte do tempo ilhadas dentro da piscina, já que essa é, convenientemente, a única coisa que Ben não sabe fazer: nadar. O terror nasce da tentativa frenética de escapar daquela situação com vida.
E aqui está o maior acerto do filme: o chimpanzé funciona muito bem como ameaça. Os efeitos práticos são extremamente convincentes. A produção optou pelo uso de um animatrônico, o que torna o animal assustador e realista. As cenas de ataque são tensas e entregam mortes sangretas, agradando quem busca um terror mais gráfico. Nessas cenas, O Primata sabe exatamente o que está fazendo.

O problema é tudo o que tenta existir fora disso.
O roteiro insiste em subtramas completamente descartáveis, como o drama romântico envolvendo Lucy e seu amor platônico pelo irmão da melhor amiga, ou a mágoa que a irmã mais nova sente pela ausência dela. Nada disso gera envolvimento emocional. Você não se importa com o passado das personagens, não cria empatia por ninguém e não existe qualquer construção que nos faça torcer por alguém.
Não há conflitos internos interessantes e tampouco existe uma reflexão mais profunda sobre a relação entre humanos e animais, algo que o próprio filme sequer se esforça em sugerir.

No fim das contas, as mortes importam mais do que as pessoas. O único elemento realmente interessante é a fúria do macaco e sua inteligência, que se destacam quando comparadas àquele bando de jovens. Talvez esse seja o maior indicativo do vazio emocional do filme: no desfecho, você não torce pela sobrevivência da protagonista nem se preocupa com quem vai sair vivo dali. No fundo, tudo o que você queria era que o macaquinho recebesse a cura.
